Há Tanto Ruído no Silêncio

(2024)

Há tanto ruído no silêncio [2024] 
Impressão pigmento mineral sobre PhotoArt Pro Canvas Matte 395 grs 100 x 315 cm. edição 1/3 + 2 PA

HÁ TANTO RUÍDO NO SILÊNCIO, que começa desde o arranjo dos frascos, feito pelo artista com muito esmero, e é a entrada de nosso jantar metafórico. Escolhe onde cada vidro irá estar, onde cada curva se inicia e se encerra, é o primeiro desafio. O jogo de naturezas mortas é conteúdo típico de quem pinta. Vemos nele os mestres pintores de Rogério: Morandi, Cézanne, Renoir… Um papo que pode ir até os gregos, ou começar em Heda e parar em Picasso e Matisse.

O prato principal é o olhar fotográfico, cada recorte tem um sabor diferente, cada olhar um novo desenho. Aqui também há outra referência da história da Arte com Degas e suas bailarinas. A sobremesa vem e a decisão pela impressão em canva devolve a imagem para o terreno vizinho, como quem compartilha a uma colherada na boca de seu parceiro de mesa.

O arremate, quem sabe aquele cafezinho, está no arranjo das obras entre si, exaltando uma terceira linguagem, convidando uma nova amiga para a conversa, a colagem. Ela nos propicia novas curvas, uma elegância que aparece em cada brilho dos vidros fotografados, em cada reflexo, em cada encaixe inusitado de um para o outro que salta por lacunas agora preenchidas por nossa imaginação. Nas montagens que tendem à abstração conhecemos outras referências importantes para Ghomes, os modernos Geraldo de Barros, German Lorca, José Yalenti e José Oiticica Filho (ele mesmo o pai do Hélio).

(Jhon Erik Voese)

 

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Texto crítico: Talvez busque um lugar onde já estou – Latitude: -25.4284, Longitude: -49.2733 25° 25′ 42′′ Sul, 49° 16′ 24′′

Catálogo da exposição: Galeria Zilda Fraletti

Obra – Compotas Afetivas (2024)