Nunca me lembro de esquecê-lo

(2024)

Nunca me lembro de esquecê-lo (2023)
Impressão pigmento mineral sobre papel Rag Photographique 310g/m, 100 x 150 cm edição 1/3 + 2 PA.

Nunca me lembro de esquecê-lo (2013)
Impressão pigmento mineral sobre papel Aquarelle Rag 310g/m, 100 x 150 cm edição 1/3 + 2 PA.

Em Nunca me lembro de esquecê-lo (2013 & 2023), a captura da imagem das Cataratas do Iguaçu (PR) pelo artista em duas ocasiões distintas (separadas pelo hiato de uma década), para além do arrebatamento que a visão dos efeitos visuais que vertigem dos volumes d’água que se precipitam formando espuma e névoa que se congelam como escultura na imagem fotografada em uma visão da branquidão mais intensa na imagem de 2023, ou então dessa espessa montanha nevada cujos tons oscilam entre distintas matizes nacaradas saltam aos olhos contra um fundo azulado que se deixa atravessar pela iridescência de um arco-íris na fotografia de 2013, o que igualmente se articula é uma complexa reflexão  em torno da mesmidade/alteridade de uma captura fotográfica. 

Em distintos momentos de sua investigação das potencialidades poético-teóricas da imagem fotográfica, Ghomes explora o que significa ver o ‘mesmo’ como ‘outro’, a partir da tensão entre imagens supostamente idênticas, em que o signo da diferença se instala quase imperceptível e complexifica o jogo proposto de ver o ‘mesmo’ duplicado, como em Todos precisam de um espelho para lembrar quem são, série fotográfica de pares de imagens de 2007. O ‘mesmo’, nesse jogo de tensões relacionais, só pode significar visual e discursivamente uma vez que seu reconhecimento como ‘mesmo’ se dê a partir das insuspeitadas relações que o jogo da significação impõe como contínua diferença, como nos ensina Jacques Derrida (2000). 

(Marco Antônio Vieira)

 

confira também

Texto crítico: A Fotografia e o Lugar em Rogério Ghomes

Catálogo da exposição: Galeria Referência

Obra – Todos precisam de um espelho para lembrar quem são (2007)